{"id":240,"date":"2017-03-03T18:51:28","date_gmt":"2017-03-03T17:51:28","guid":{"rendered":"http:\/\/adfig.com\/pt\/?p=240"},"modified":"2017-09-20T12:53:06","modified_gmt":"2017-09-20T11:53:06","slug":"que-competencias-para-as-novas-geracoes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/adfig.com\/pt\/?p=240","title":{"rendered":"Que Compet\u00eancias para as Novas Gera\u00e7\u00f5es?"},"content":{"rendered":"<p><i>Para facilitar uma divulga\u00e7\u00e3o mais alargada, este <\/i>post<i> e os dois que lhe deram continuidade (e que n\u00e3o reproduzo aqui) foram colocados na plataforma <\/i>Medium<i>. Por favor, selecione:<\/i><\/p>\n<ul>\n<li><a href=\"https:\/\/medium.com\/@adfig\/que-compet%C3%AAncias-para-as-novas-gera%C3%A7%C3%B5es-eeedee676c8d\"><i>Que Compet\u00eancias para as Novas Gera\u00e7\u00f5es? [I]<\/i><\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/medium.com\/@adfig\/que-compet%C3%AAncias-para-as-novas-gera%C3%A7%C3%B5es-ii-e000f41e16b2\"><i>Que Compet\u00eancias para as Novas Gera\u00e7\u00f5es? [II]<\/i><\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/medium.com\/@adfig\/que-compet%C3%AAncias-para-as-novas-gera%C3%A7%C3%B5es-iii-e6dd55272a16\"><i>Que Compet\u00eancias para as Novas Gera\u00e7\u00f5es? [III]<\/i><\/a><\/li>\n<\/ul>\n<p>Foi apresentado publicamente, no dia 13 de fevereiro, e colocado em discuss\u00e3o p\u00fablica, o relat\u00f3rio <em><a href=\"http:\/\/dge.mec.pt\/sites\/default\/files\/Noticias_Imagens\/perfil_do_aluno.pdf\">Perfil dos Alunos para o S\u00e9culo XXI<\/a><\/em>, elaborado por um grupo de trabalho criado pelo Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o com o intuito de clarificar as compet\u00eancias que os jovens que concluem a escolaridade obrigat\u00f3ria dever\u00e3o possuir. O relat\u00f3rio \u00e9 uma reflex\u00e3o importante sobre a educa\u00e7\u00e3o em Portugal e abre horizontes para al\u00e9m dos padr\u00f5es tradicionais que t\u00eam dificultado a resposta das nossas escolas aos desafios do s\u00e9culo XXI. Tem, al\u00e9m disso, o m\u00e9rito de se apresentar&nbsp;com algumas lacunas, que convidam ao debate e \u00e0 proposta de melhoramentos. Sendo as compet\u00eancias das novas gera\u00e7\u00f5es um dos temas a que me tenho dedicado nas \u00faltimas d\u00e9cadas, e estando a apoiar, neste momento, a elabora\u00e7\u00e3o de uma proposta de id\u00eantica natureza da Comiss\u00e3o Europeia, que tem em curso a revis\u00e3o do seu referencial de 2006, entendi que n\u00e3o podia deixar de prestar a minha modesta contribui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/adfig.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/portrayal-89193_1920.jpg\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"241\" data-permalink=\"https:\/\/adfig.com\/pt\/?attachment_id=241\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/adfig.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/portrayal-89193_1920.jpg?fit=1920%2C1271&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"1920,1271\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"portrayal-89193_1920\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/adfig.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/portrayal-89193_1920.jpg?fit=300%2C199&amp;ssl=1\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/adfig.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/portrayal-89193_1920.jpg?fit=640%2C424&amp;ssl=1\" class=\"wp-image-241 aligncenter\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/adfig.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/portrayal-89193_1920.jpg?resize=640%2C425\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"425\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/adfig.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/portrayal-89193_1920.jpg?resize=300%2C199&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/adfig.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/portrayal-89193_1920.jpg?resize=1024%2C678&amp;ssl=1 1024w, https:\/\/i0.wp.com\/adfig.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/portrayal-89193_1920.jpg?w=1920&amp;ssl=1 1920w, https:\/\/i0.wp.com\/adfig.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/portrayal-89193_1920.jpg?w=1280 1280w\" sizes=\"(max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><\/a><\/p>\n<p>O valor de um referencial de compet\u00eancias mede-se pela sua capacidade para induzir inova\u00e7\u00e3o e mudan\u00e7a. Tem, por isso, de ser capaz de mobilizar \u2013 se poss\u00edvel, de apaixonar \u2013 todos quantos possam colaborar na sua aplica\u00e7\u00e3o futura. Mas que futuro \u00e9 esse? Que benef\u00edcios vamos conquistar? Que advers\u00e1rios&nbsp;vamos superar? Por qu\u00ea rumar agora, e n\u00e3o mais tarde, para novas compet\u00eancias? N\u00e3o creio que estas quest\u00f5es possam ser respondidas com um simples \u201cporque sim\u201d, nem com a fixa\u00e7\u00e3o de um mero postulado de princ\u00edpios e valores, como faz o relat\u00f3rio. Esse \u00e9 um dos pontos onde penso que poder\u00e1 ser melhorado ou complementado com outros documentos que o ajudem a passar&nbsp;\u00e0 pr\u00e1tica. Para quem tem acompanhado atentamente a evolu\u00e7\u00e3o deste nosso mundo, as raz\u00f5es que imp\u00f5em a clarifica\u00e7\u00e3o das compet\u00eancias que os jovens devem possuir &nbsp;s\u00e3o hoje cada vez mais ponderosas e gritantes. No entanto, para o cidad\u00e3o comum, para os estudantes&nbsp;e pais e, mesmo, para muitos professores, essas raz\u00f5es est\u00e3o longe de ser reconhecidas e compreendidas. A sua clarifica\u00e7\u00e3o deveria ser, por isso, a meu ver, o ponto de partida para um referencial de compet\u00eancias que pretenda&nbsp;conquistar todos os atores do sistema educativo para um projeto de mudan\u00e7a.<\/p>\n<p>Mesmo que nos centremos apenas nas quest\u00f5es do emprego, deixando de parte outras dimens\u00f5es civilizacionais cr\u00edticas, n\u00e3o podemos ignorar a previs\u00e3o, preocupante, hoje <a href=\"https:\/\/www.technologyreview.com\/s\/519241\/report-suggests-nearly-half-of-us-jobs-are-vulnerable-to-computerization\/\">repetida<\/a> e documentada, da <a href=\"http:\/\/www.reuters.com\/article\/us-davos-meeting-employment-idUSKCN0UW0NV\">perda de milh\u00f5es de empregos<\/a>, tornados obsoletos pela intelig\u00eancia artificial, pela rob\u00f3tica, pela automa\u00e7\u00e3o e pelas nanotecnologias, nem a <a href=\"https:\/\/www.weforum.org\/events\/world-economic-forum-annual-meeting-2017\/sessions\/promise-or-peril-decoding-the-future-of-work\">previs\u00e3o<\/a> de uma invas\u00e3o do mercado de trabalho global, j\u00e1 nos pr\u00f3ximos tr\u00eas anos, por v\u00e1rias centenas de milh\u00f5es candidatos. Tamb\u00e9m n\u00e3o podemos ignorar que, segundo <a href=\"https:\/\/www.weforum.org\/events\/world-economic-forum-annual-meeting-2017\/sessions\/promise-or-peril-decoding-the-future-of-work\">estimativas recentes<\/a>, cerca de 40% das empresas e organiza\u00e7\u00f5es mundiais continuar\u00e3o, no mesmo per\u00edodo, a ver as suas necessidades insatisfeitas. Do mesmo modo, n\u00e3o podemos ignorar os estudos que apontam para um grande <a href=\"https:\/\/www.weforum.org\/press\/2016\/01\/five-million-jobs-by-2020-the-real-challenge-of-the-fourth-industrial-revolution\">aumento da procura de empregos<\/a> em \u00e1reas ligadas \u00e0 computa\u00e7\u00e3o, engenharia, matem\u00e1tica. Nem ignorar a altera\u00e7\u00e3o profunda a que assistimos na natureza do emprego. Nem a volatiliza\u00e7\u00e3o do emprego est\u00e1vel. Nem a crescente precariza\u00e7\u00e3o do trabalho. Nem a deteriora\u00e7\u00e3o dos sal\u00e1rios. Nem a generaliza\u00e7\u00e3o das economias da partilha (ou do biscate). Nem o subemprego dos graduados. Nem a prolifera\u00e7\u00e3o do multiemprego. Nem a elevada percentagem de jovens \u201cnem-nem\u201d, que nem estudam, nem trabalham, nem est\u00e3o a receber forma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Queiramos, ou n\u00e3o, ser\u00e1 neste mundo que os estudantes das nossas escolas ter\u00e3o de integrar-se, diferenciar-se e afirmar-se se quiserem encontrar a sua plena realiza\u00e7\u00e3o. Por isso se justifica que sejam claramente explicadas, para al\u00e9m dos princ\u00edpios e valores, as&nbsp;rela\u00e7\u00f5es entre os desafios civilizacionais acima esbo\u00e7ados e as&nbsp;compet\u00eancias que&nbsp;esses jovens dever\u00e3o possuir&nbsp;se quiserem escapar, ao longo da vida, ao estatuto de prec\u00e1rios, subempregados, \u201cnem-nem\u201d. Sendo estes jovens provenientes&nbsp;de sistemas de ensino vinculados ao mandato de produzirem funcion\u00e1rios uniformes, rotineiros, dependentes, como iremos transform\u00e1-los em cidad\u00e3os aut\u00f3nomos, afirmativos, inovadores e solid\u00e1rios? Como iremos transform\u00e1-los em cidad\u00e3os que se distingam dos algoritmos de aprendizagem autom\u00e1tica que hoje os substituem, cada vez mais, em tudo quanto possa ser padronizado. Que compet\u00eancias dever\u00e3o ter para, quando especializados numa \u00e1rea que se torna obsoleta, se reconfigurarem para outra, radicalmente distinta? E para lidarem com a incerteza que caracteriza os nossos dias? E para decidirem em situa\u00e7\u00f5es n\u00e3o-lineares, de grande complexidade e indeterminismo? E para liderarem e saberem ser liderados? E para interiorizarem, pela pr\u00e1tica, que muitos dos sucessos dos nossos dias se encontram para l\u00e1 de grandes derrotas e frustra\u00e7\u00f5es? E para se apaixonarem pelas tarefas que executam? E para assumirem autonomamente os seus destinos? A resposta a estas quest\u00f5es, e a muitas outras de id\u00eantico teor, n\u00e3o \u00e9 dada nem sugerida no documento divulgado. Seria \u00fatil, a meu ver, que fosse acrescentada numa vers\u00e3o futura ou em documentos complementares que enquadrassem a passagem do relat\u00f3rio \u00e0 pr\u00e1tica.<\/p>\n<p>O sucesso da apropria\u00e7\u00e3o cultural de um instrumento intelectual pelos seus utilizadores depende muito das barreiras cognitivas colocadas ao seu uso. Se o referencial do <em>Perfil dos Alunos para o S\u00e9culo XXI<\/em> pretender ser um instrumento de trabalho para aplica\u00e7\u00e3o no dia-a-dia, \u00e9 fundamental que essas barreira sejam muito baixas. Ora, ao contr\u00e1rio de todos os referenciais internacionais conhecidos, o do <em>Perfil<\/em> desrespeita um dos princ\u00edpios mais b\u00e1sicos&nbsp;da psicologia da intera\u00e7\u00e3o com os seres humanos, o <a href=\"http:\/\/www.psych.utoronto.ca\/users\/peterson\/psy430s2001\/Miller%20GA%20Magical%20Seven%20Psych%20Review%201955.pdf\">princ\u00edpio de Miller<\/a>, de acordo com o qual o n\u00famero de alternativas a manter em mem\u00f3ria de curto prazo deve ser da ordem de sete mais ou menos dois \u2013 e quanto mais baixo, melhor. Essa \u00e9 a raz\u00e3o pela qual os menus da generalidade dos programas inform\u00e1ticos n\u00e3o apresentam mais de nove alternativas, que por sua vez n\u00e3o contam com mais de nove&nbsp;sub-alternativas. O relat\u00f3rio Delors, <em><a href=\"http:\/\/unesdoc.unesco.org\/images\/0010\/001095\/109590eo.pdf\">Learning: The Treasure Within<\/a><\/em>, da UNESCO, 1998, assenta em&nbsp;quatro pilares, o referencial da&nbsp;<em><a href=\"http:\/\/www.p21.org\/storage\/documents\/stateleaders071906.pdf\">Partnership for 21st Century Learning<\/a><\/em>, de 2006, divide-se em quatro categorias de topo, o <a href=\"https:\/\/www.oecd.org\/pisa\/35070367.pdf\">referencial de 2005 da OCDE<\/a>&nbsp;comporta apenas&nbsp;tr\u00eas grandes categorias, tal como o <a href=\"https:\/\/www.oecd.org\/education\/Global-competency-for-an-inclusive-world.pdf\">referencial de 2016 da OCDE<\/a>, tamb\u00e9m com tr\u00eas categorias de topo. O referencial do <a href=\"http:\/\/www3.weforum.org\/docs\/WEFUSA_NewVisionforEducation_Report2015.pdf\">World Economic Forum<\/a>, de 2015, divide-se igualmente em tr\u00eas grandes categorias. Apenas o relat\u00f3rio da<a href=\"http:\/\/eur-lex.europa.eu\/legal-content\/EN\/TXT\/PDF\/?uri=CELEX:32006H0962&amp;from=EN\"> Comiss\u00e3o Europeia, de 2006<\/a>, agora em revis\u00e3o, se aproxima do limite m\u00e1ximo, com oito categorias. \u00c9 de estranhar, por isso, que o referencial do <em>Perfil<\/em> tenha dez categorias. Seria \u00fatil, a meu ver, que, numa futura vers\u00e3o ou em futuros documentos de apoio, fosse assegurada uma rearruma\u00e7\u00e3o cognitivamente mais acess\u00edvel das categorias de compet\u00eancias.<\/p>\n<p>A minha aprecia\u00e7\u00e3o concentrou-se, at\u00e9 aqui, na&nbsp;operacionalidade e efic\u00e1cia do <em>Perfil<\/em>. Espero poder, numa pr\u00f3xima oportunidade, dedicar-me mais \u00e0s quest\u00f5es de subst\u00e2ncia.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Para facilitar uma divulga\u00e7\u00e3o mais alargada, este post e os dois que lhe deram continuidade (e que n\u00e3o reproduzo aqui) foram colocados na plataforma Medium. Por favor, selecione: Que Compet\u00eancias para as Novas Gera\u00e7\u00f5es? 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