{"id":623,"date":"2020-08-25T20:02:11","date_gmt":"2020-08-25T19:02:11","guid":{"rendered":"http:\/\/adfig.com\/pt\/?p=623"},"modified":"2024-09-04T11:19:38","modified_gmt":"2024-09-04T10:19:38","slug":"o-imperativo-de-uma-escola-para-a-autonomia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/adfig.com\/pt\/?p=623","title":{"rendered":"O imperativo de uma escola para a autonomia"},"content":{"rendered":"\r\n<p><em>A escola nunca foi t\u00e3o necess\u00e1ria nem t\u00e3o insuficiente. Necess\u00e1ria, porque a maior parte das fam\u00edlias n\u00e3o tem tempo nem espa\u00e7o para educar os \ufb01lhos, nem para os tratar como crian\u00e7as. Necess\u00e1ria, porque as desigualdades sociais s\u00e3o cada vez maiores e s\u00f3 a escola pode atenu\u00e1-las. Necess\u00e1ria porque as crian\u00e7as est\u00e3o cada vez mais inundadas de tecnologias e cada vez mais carentes de afei\u00e7\u00e3o e valores. Necess\u00e1ria, porque neste nosso mundo n\u00e3o h\u00e1 outro lugar onde as crian\u00e7as possam aprender a construir autonomia, responsabilidade e democracia. \u00c9, apesar disso, cada vez mais insu\ufb01ciente. Insu\ufb01ciente, porque o conhecimento humano aumenta a ritmo vertiginoso, tornando obsoleto o que \u00e9 hoje novo e seguro, e n\u00e3o h\u00e1 escola que possa acompanhar uma tal explos\u00e3o de saber. Insu\ufb01ciente, porque cada vez h\u00e1 mais conting\u00eancias e incertezas que n\u00e3o podem ser superadas com o conhecimento existente. Insu\ufb01ciente, porque o pr\u00f3ximo futuro ser\u00e1 muito distinto do presente, mas ningu\u00e9m sabe como \u00e9 que ele ser\u00e1.<\/em><\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/adfig.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/autonomous-child-03.jpeg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"640\" height=\"640\" data-attachment-id=\"738\" data-permalink=\"https:\/\/adfig.com\/pt\/?attachment_id=738\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/adfig.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/autonomous-child-03.jpeg?fit=686%2C686&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"686,686\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;1&quot;}\" data-image-title=\"autonomous-child-03\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/adfig.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/autonomous-child-03.jpeg?fit=300%2C300&amp;ssl=1\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/adfig.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/autonomous-child-03.jpeg?fit=640%2C640&amp;ssl=1\" class=\"wp-image-738 aligncenter\" style=\"width: 504px; height: 504px;\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/adfig.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/autonomous-child-03.jpeg?resize=640%2C640&#038;ssl=1\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/adfig.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/autonomous-child-03.jpeg?w=686&amp;ssl=1 686w, https:\/\/i0.wp.com\/adfig.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/autonomous-child-03.jpeg?resize=300%2C300&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/adfig.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/autonomous-child-03.jpeg?resize=150%2C150&amp;ssl=1 150w\" sizes=\"(max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><\/a>\r\n<figcaption class=\"wp-element-caption\">Cr\u00e9ditos: Image Creator<\/figcaption>\r\n<\/figure>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Desconhecendo-se o futuro, cada um ter\u00e1 de aprender por si pr\u00f3prio, em perman\u00eancia, para o que der e vier (<em>just in case<\/em>), segundo as ambi\u00e7\u00f5es que for construindo e as oportunidades que se forem abrindo. Por outro lado, cada um ter\u00e1 de aprender a aprender por si pr\u00f3prio, no momento (<em>just in time<\/em>), perante os desafios inesperados e desconhecidos que se forem erguendo no seu percurso. A escola, que tinha a miss\u00e3o de desenvolver saberes para um mundo conhecido, tem agora a miss\u00e3o adicional de construir autonomia para um mundo desconhecido.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Uma escola para a autonomia<\/strong><\/h3>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Esta necessidade de uma escola para a autonomia, hoje reconhecida como vital para a sobreviv\u00eancia das novas gera\u00e7\u00f5es, \u00e9 debatida h\u00e1 mais de um s\u00e9culo por pensadores e educadores. Nas \u00faltimas d\u00e9cadas, tamb\u00e9m as grandes institui\u00e7\u00f5es da educa\u00e7\u00e3o passaram a enfatizar o imperativo de um escola para a autonomia. A UNESCO dedicou-lhe o Relat\u00f3rio Faure (1972), que popularizava o conceito de\u00a0<em>educa\u00e7\u00e3o ao longo da vida<\/em>\u00a0e a import\u00e2ncia de\u00a0<em>aprender a aprender<\/em>. Um vinte e cinco anos mais tarde, produzia o Relat\u00f3rio Delors (1998), que refor\u00e7ava os princ\u00edpios de uma educa\u00e7\u00e3o para a autonomia assente em quatro pilares:\u00a0<em>aprender a saber<\/em>,\u00a0<em>aprender a fazer<\/em>,\u00a0<em>aprender a viver em conjunto<\/em>\u00a0e\u00a0<em>aprender a ser<\/em>.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<blockquote class=\"wp-block-quote has-text-align-center is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\r\n<p><strong>A escola, que tinha a miss\u00e3o de desenvolver saberes para um <\/strong><br \/><strong>mundo conhecido, tem agora a miss\u00e3o adicional de <\/strong><br \/><strong>construir autonomia para um mundo desconhecido<\/strong><\/p>\r\n<\/blockquote>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Curiosamente, o imagin\u00e1rio humano tem revelado ao longo dos s\u00e9culos um grande fasc\u00ednio pelos desafios da constru\u00e7\u00e3o aut\u00f3noma do saber perante mundos desconhecidos. No s\u00e9culo XII, o conto\u00a0<em>Hayy Ibn Yaqzan<\/em>\u00a0do fil\u00f3sofo \u00e1rabe andaluz Ibn Tufayl sobre uma crian\u00e7a que cresceu sem educa\u00e7\u00e3o ou enquadramento humano e ascendeu a supremos n\u00edveis de compreens\u00e3o do mundo, da f\u00e9 e de si pr\u00f3prio, lan\u00e7aria o conhecimento autodidata no centro da reflex\u00e3o epistemol\u00f3gica europeia, inspirando os pensadores e artistas do Iluminismo e os humanistas da Renascen\u00e7a. Figuras t\u00e3o distintas como Bacon, Milton, Locke e, naturalmente, Defoe, com o seu\u00a0<em>Robinson Crusoe<\/em>, enriqueceram a reflex\u00e3o sobre a autonomia na constru\u00e7\u00e3o de conhecimento, influenciando por sua vez Spinoza, Voltaire, Rousseau e, de forma mais discreta, muitas outras figuras, como Schopenhauer, Coleridge, Nietzche, Heidegger, Camus ou Michel Foucault.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Pedagogias da explica\u00e7\u00e3o\u00a0<em>versus<\/em>\u00a0pedagogias da autonomia<\/strong><\/h3>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>As\u00a0<em>pedagogias da explica\u00e7\u00e3o<\/em>, que hoje predominam nas nossas escolas, dificultam, em vez de facilitarem, o desenvolvimento da autonomia. Ao partirem do princ\u00edpio de que o que est\u00e1 escrito no manual deve ser explicado pelo professor, em vez de descodificado e apropriado pelo aluno, por muito claro que seja o manual, criam a convic\u00e7\u00e3o de que cabe ao professor a responsabilidade de \u201censinar\u201d e ao aluno a tarefa de \u201creter\u201d o que foi explicado. Esta depend\u00eancia est\u00e1 t\u00e3o enraizada nas rotinas escolares dos nossos dias, que o aluno, feliz por n\u00e3o ter de pensar muito, a v\u00ea como um direito e n\u00e3o como uma desvaloriza\u00e7\u00e3o da sua intelig\u00eancia. O fen\u00f3meno \u00e9 semelhante ao do analfabetismo funcional descrito por Adler e Van Doren, em\u00a0<em>How to Read a Book<\/em>, quando afirmam que h\u00e1 muita gente que pensa que sabe ler, mas na verdade n\u00e3o sabe, porque n\u00e3o d\u00e1 conta de que ler n\u00e3o \u00e9 reconhecer sequ\u00eancias de palavras e frases, mas sim compreender laboriosamente o mundo que se encontra para al\u00e9m delas.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<blockquote class=\"wp-block-quote has-text-align-center is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\r\n<p><strong>As pedagogias da explica\u00e7\u00e3o, que hoje predominam <\/strong><br \/><strong>nas nossas escolas, di\ufb01cultam, em vez de facilitarem<\/strong>,<br \/><strong> o desenvolvimento da autonomia<\/strong><\/p>\r\n<\/blockquote>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Em oposi\u00e7\u00e3o a estas\u00a0<em>pedagogias da explica\u00e7\u00e3o<\/em>, que predominam h\u00e1 mais de dois s\u00e9culos, as\u00a0<em>pedagogias da autonomia\u00a0<\/em>ajustam-se na perfei\u00e7\u00e3o \u00e0 era de complexidade, incerteza e intera\u00e7\u00e3o social em que vivemos. Infelizmente, n\u00e3o existem ainda manuais dedicados a esta forma t\u00e3o distinta de ver a educa\u00e7\u00e3o, pelo que a descrevo aqui em tra\u00e7os largos.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>O universo das pedagogias da autonomia<\/strong><\/h3>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>As pedagogias da autonomia apresentam-se hoje com uma grande variedade, que assenta em tr\u00eas tradi\u00e7\u00f5es pedag\u00f3gicas que se sobrep\u00f5em parcialmente:<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<ul class=\"wp-block-list\">\r\n<li>as pedagogias da emancipa\u00e7\u00e3o,<\/li>\r\n\r\n\r\n\r\n<li>as pedagogias da socializa\u00e7\u00e3o, e<\/li>\r\n\r\n\r\n\r\n<li>as pedagogias do projeto<\/li>\r\n<\/ul>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>A formula\u00e7\u00e3o mais antiga e coerente das\u00a0<strong>pedagogias da emancipa\u00e7\u00e3o<\/strong>\u00a0\u00e9 provavelmente a\u00a0<em>mai\u00eautica socr\u00e1tica<\/em>, ainda hoje vista como uma abordagem pedag\u00f3gica de excel\u00eancia. A\u00a0<em>simula\u00e7\u00e3o<\/em>\u00a0e o\u00a0<em>jogo<\/em>, que j\u00e1 inspiravam as did\u00e1ticas da Escola Nova nos fins do s\u00e9culo XIX e princ\u00edpios do s\u00e9culo XX,\u00a0 s\u00e3o outro exemplo de abordagem emancipat\u00f3ria, hoje com o seu potencial muito refor\u00e7ado pelo uso dos computadores. Como variante das abordagens de simula\u00e7\u00e3o, a\u00a0<em>pedagogia dos casos<\/em>, j\u00e1 praticada h\u00e1 mais de um s\u00e9culo pela Harvard Business School, distribui aos alunos descri\u00e7\u00f5es ficcionadas de casos complexos e estabelece-lhes prazos para que, recorrendo \u00e0 bibliografia que queiram, resolvam autonomamente esses casos e defendam perante colegas e professor as solu\u00e7\u00f5es que prop\u00f5em.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>A\u00a0<em>aprendizagem h\u00edbrida<\/em>\u00a0ou\u00a0<em>mista<\/em>\u00a0(<em>blended learning<\/em>), que combina componentes presenciais e online, \u00e9 outra abordagem que refor\u00e7a a emancipa\u00e7\u00e3o, ao conciliar t\u00e9cnicas de aprendizagem dirigida com pr\u00e1ticas de aprendizagem partilhada e com org\u00e2nicas de aprendizagem aut\u00f3noma. As\u00a0<em>pedagogias invertidas<\/em>\u00a0(<em>flipped learning<\/em>) s\u00e3o tamb\u00e9m indutoras de emancipa\u00e7\u00e3o, ao incumbirem os alunos de estudarem autonomamente um t\u00f3pico a aprender, para s\u00f3 depois aplicarem, debaterem e avaliarem em conjunto a respetiva aprendizagem. Algumas institui\u00e7\u00f5es t\u00eam vindo a explorar com sucesso as\u00a0<em>pedagogias de explora\u00e7\u00e3o do erro,\u00a0<\/em>onde os alunos desenvolvem autonomamente projetos complexos e s\u00e3o incentivados a melhor\u00e1-los atrav\u00e9s da identifica\u00e7\u00e3o e corre\u00e7\u00e3o dos erros cometidos.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<blockquote class=\"wp-block-quote has-text-align-center is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\r\n<p><strong>A transi\u00e7\u00e3o de uma cultura da explica\u00e7\u00e3o para uma cultura <\/strong><br \/><strong>da autonomia confronta-se desde logo com os h\u00e1bitos <\/strong><br \/><strong>de passividade e depend\u00eancia que os alunos <\/strong><br \/><strong>adquiriram ao longo da sua vida escolar<\/strong><\/p>\r\n<\/blockquote>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>As\u00a0<strong>pedagogias da socializa\u00e7\u00e3o<\/strong>\u00a0tiram forte partido da dimens\u00e3o online, quer dando express\u00e3o a\u00a0<em>comunidades de pr\u00e1tica<\/em>, quer explorando a produ\u00e7\u00e3o, individual ou coletiva, de trabalhos que s\u00e3o tornados p\u00fablicos e discutidos e avaliados pelos pares em\u00a0<em>redes sociais<\/em>, abertas ou fechadas. Outro exemplo de pedagogias da socializa\u00e7\u00e3o s\u00e3o as\u00a0<em>pedagogias da colabora\u00e7\u00e3o<\/em>, com muitas variedades, desde as que se baseiam na constru\u00e7\u00e3o de\u00a0<em>intelig\u00eancia coletiva<\/em>\u00a0em contextos sociais complexos at\u00e9 \u00e0s que criam espa\u00e7os de\u00a0<em>coaprendizagem<\/em>\u00a0e\u00a0<em>coavalia\u00e7\u00e3o<\/em>. Os chamados\u00a0<em>ambientes pessoais de aprendizagem<\/em>\u00a0(<em>personal learning environments<\/em>) s\u00e3o exemplos de redes de recursos e relacionamentos que cada cidad\u00e3o dos nossos dias tem vantagem em construir e cultivar para assegurar a sua aprendizagem aut\u00f3noma ao longo da vida, largamente pela via da socializa\u00e7\u00e3o.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>As\u00a0<strong>pedagogias de projeto<\/strong>\u00a0inspiram-se na riqu\u00edssima tradi\u00e7\u00e3o das parcerias de trabalho entre mestres e aprendizes (<em>apprenticeship<\/em>) nas corpora\u00e7\u00f5es medievais, que evolu\u00edram na Renascen\u00e7a com a incorpora\u00e7\u00e3o do conceito de projeto. As pedagogias de projeto incluem hoje quatro modalidades distintas, que se sobrep\u00f5em parcialmente: as\u00a0<em>pedagogias da cria\u00e7\u00e3o<\/em>, que incentivam o uso livre da criatividade; a\u00a0<em>aprendizagem baseada em projectos<\/em>\u00a0(<em>project-based learning<\/em>), uma das pr\u00e1ticas pedag\u00f3gicas mais promissoras da atualidade; as pedagogias do<em>\u00a0pensamento de designer<\/em>\u00a0(<em>design thinking<\/em>) que progridem por aproxima\u00e7\u00f5es sucessivas segundo percursos de s\u00edntese que conciliam as partes e o todo; e as\u00a0<em>pedagogias do fazer<\/em>, geralmente desenvolvidas em\u00a0<em>espa\u00e7os de fabrica\u00e7\u00e3o\u00a0<\/em>(<em>makerspaces<\/em>), hoje muito populares em projetos de inform\u00e1tica e rob\u00f3tica, mas que se prestam a grande variedade de tem\u00e1ticas, tanto das tecnologias como das artes e das humanidades.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<blockquote class=\"wp-block-quote has-text-align-center is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\r\n<p><strong>O que se imp\u00f5e na escola para a autonomia n\u00e3o \u00e9 uma reforma <\/strong><br \/><strong>dos curr\u00edculos, mas uma reforma das pedagogias<\/strong><\/p>\r\n<\/blockquote>\r\n\r\n\r\n\r\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Assegurar a transi\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h3>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>A transi\u00e7\u00e3o de uma\u00a0<em>cultura da explica\u00e7\u00e3o<\/em>\u00a0para uma\u00a0<em>cultura da autonomia<\/em>\u00a0confronta-se desde logo com os h\u00e1bitos de passividade e depend\u00eancia que os alunos adquiriram ao longo da sua vida escolar. Para eles, a cultura da explica\u00e7\u00e3o \u00e9 a normalidade, e a normalidade deve continuar. Em condi\u00e7\u00f5es normais, seria imposs\u00edvel alterar este\u00a0<em>status quo<\/em>. Acontece que n\u00e3o vivemos condi\u00e7\u00f5es normais. Como apontam v\u00e1rios autores, o per\u00edodo de pandemia que vivemos \u00e9 um \u201cteste de stress\u201d \u00e0 capacidade das sociedades para confrontaram os desafios de um s\u00e9culo que insistem em n\u00e3o reconhecer como distinto do passado. Em dom\u00ednios chave como o trabalho, a sa\u00fade p\u00fablica e a educa\u00e7\u00e3o, as fragilidades reveladas s\u00e3o de monta. Nada seria mais grave do que regressarmos \u00e0 normalidade sem resolver essas fragilidades e termos de as confrontar mais tarde, porventura muito ampliadas, j\u00e1 nas pr\u00f3ximas crises do s\u00e9culo.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>O que se imp\u00f5e na escola para a autonomia n\u00e3o \u00e9 uma reforma dos curr\u00edculos, mas uma reforma das pedagogias. A reforma das pedagogias levar\u00e1 certamente \u00e0 adapta\u00e7\u00e3o dos curr\u00edculos, mas o essencial da mudan\u00e7a est\u00e1 nas pedagogias. Tratando-se de pr\u00e1ticas conhecidas, embora ainda pouco aplicadas, seria catastr\u00f3fico que perd\u00eassemos esta oportunidade para, pela sua incorpora\u00e7\u00e3o no sistema, criarmos uma escola capaz de preparar as pr\u00f3ximas gera\u00e7\u00f5es para aprenderem a aprender, fazer, conviver, ser, pensar, poder, empreender e transformar. Uma escola que criasse autonomia em vez de depend\u00eancia. Uma escola que capacitasse os jovens da pr\u00f3xima gera\u00e7\u00e3o para assumirem autonomamente a constru\u00e7\u00e3o do seu pr\u00f3prio destino e de um mundo melhor.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>[Nota \u2013 Este texto foi publicado originalmente no jornal <strong><em>sinalAberto<\/em><\/strong> de 25 de agosto de 2020]<\/p>\r\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A escola nunca foi t\u00e3o necess\u00e1ria nem t\u00e3o insuficiente. Necess\u00e1ria, porque a maior parte das fam\u00edlias n\u00e3o tem tempo nem espa\u00e7o para educar os \ufb01lhos, nem para os tratar como crian\u00e7as. 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